sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Diversidade genética em áreas restauradas de Mata Atlântica surpreende pesquisadores

29/08/2014 
Por Karina Toledo
 
Agência FAPESP – Ao comparar a diversidade genética vegetal de três remanescentes florestais de Mata Atlântica com a de duas áreas em processo de restauração, todas no interior de São Paulo, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) não observaram diferença significativa na maioria dos parâmetros analisados.
Apenas em termos de riqueza alélica (número de alelos diferentes para uma mesma região do genoma) e de riqueza de alelos privados (exclusivos de uma determinada população) as porcentagens encontradas nas áreas nativas foram maiores em relação às reflorestadas.

A análise, realizada com apoio da FAPESP, foi centrada em quatro espécies com potencial fitoterápico: araribá (Centrolobium tomentuosum, anti-inflamatório e anti-leishimania), cabreúva (Myroxylon peruiferum, antibiótica e analgésica), guaçatonga (Casearia sylvestris, anticancerígena) e pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha, antioxidante).
Os dados foram apresentados pela pesquisadora Maria Imaculada Zucchi, da APTA, durante a 7ª Reunião de Avaliação do Programa BIOTA-FAPESP, realizada em São Paulo no dia 7 de agosto.

“A diversidade genética está diretamente relacionada com a longevidade de uma população e com a sua capacidade de evoluir em resposta a mudanças ambientais. No entanto, há algumas décadas, os projetos de restauração foram implantados com alta diversidade interespecífica [muitas espécies diferentes], mas pouca ou nenhuma atenção foi dada à diversidade intraespecífica [sementes oriundas de poucas matrizes de cada espécie]. Por esse motivo o resultado do estudo nos surpreendeu”, disse Zucchi.

O uso de sementes coletadas de um pequeno número de matrizes, explicou a pesquisadora, pode restringir a base genética nas áreas de restauração florestal, resultando em uma população constituída de plantas aparentadas.
“Inicialmente, não se observa nenhum problema. Contudo, ao chegar à fase reprodutiva, haverá grande número de cruzamentos entre indivíduos aparentados, causando a endogamia e podendo aumentar a frequência de alelos deletérios ou letais nessas populações, levando-as à diminuição ou ao declínio”, explicou Zucchi.

Outra consequência da utilização de plantas com base genética restrita em áreas de reflorestamento é o chamado “efeito fundador”, ou seja, o estabelecimento de uma nova população formada por um pequeno número de genótipos.
Para verificar se áreas reflorestadas de São Paulo estavam sofrendo com esse fenômeno, os cientistas da APTA e alunos do programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coletaram amostras das quatro espécies fitoterápicas na região de Cosmópolis, em processo de restauração há 54 anos, e em Iracemápolis, em restauração há 24 anos.
Também foram feitas coletas nos remanescentes da Estação Ecológica de Caetetus, ligada ao Instituto Florestal e situada na região de Gália; na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Tietê (UPD-Tietê), da APTA; e na Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Mata de Santa Genebra, no município de Campinas.

Ao todo, foram coletadas 414 amostras de araribá, 182 de cabreúva, 546 de guaçatonga e 394 de pau-jacaré. Desse total, foram selecionadas 20 matrizes produtoras de sementes de cada espécie com o intuito de estudar a taxa de cruzamento. O passo seguinte foi fazer a extração de DNA das amostras, a genotipagem – por um método semelhante ao usado nos testes de paternidade humanos – e o cálculo das frequências dos diferentes alelos encontrados.

De acordo com Zucchi, não houve diferença significativa entre as áreas estudadas na maioria dos parâmetros de diversidade genética – que leva em conta vários fatores populacionais como, por exemplo, o número de indivíduos heterozigotos encontrados.
Uma diferença pequena foi encontrada nas porcentagens de riqueza alélica. No caso da guaçatonga, os números foram 64% nas áreas naturais e 36% nas áreas restauradas. Para a cabreúva, as porcentagens foram de 54% e 46%, respectivamente. Para o araribá, foram 52% e 48% e, para o pau-jacaré, 56% e 44%.

Os pesquisadores também compararam os valores dos chamados alelos privados – aqueles que são exclusivos da população estudada. Nesse caso ficou mais evidente a discrepância entre áreas sendo que, para a guaçatonga, as porcentagens foram 92% nos remanescentes em relação a 8% nas áreas restauradas. No caso da cabreúva, as porcentagens foram 74% e 26%, respectivamente. Para o araribá foram 70% e 30% e, para o pau-jacaré, 68% e 32%.

Uma possível explicação para a pouca variação nos parâmetros de diversidade genética seria a ocorrência de fluxo de genes de remanescentes para as áreas reflorestadas próximas – processo que, segundo Zucchi, ficou evidente ao analisar os dados da cabreúva.
“Os indivíduos jovens das áreas restauradas possuíam alelos que não eram comuns aos indivíduos adultos da mesma área, mas eram semelhantes aos alelos encontrados em adultos de remanescentes florestais próximos, sugerindo a ocorrência de fluxo gênico da área natural para a restaurada”, comentou a pesquisadora.
O estudo da taxa de cruzamento mostrou que as espécies estudadas apresentam sistema misto de cruzamento, ou seja, podem tanto se autofecundar (autogamia) quanto cruzar com outros indivíduos da mesma espécie (alogamia). A exceção foi o araribá, que apresentou tendência à alogamia.
“Ao elaborar um projeto de conservação, uma das primeiras coisas a serem estudadas é a taxa de cruzamento, para entender como as espécies se reproduzem. Isso é importante, por exemplo, para calcular quantas matrizes diferentes serão utilizadas em uma determinada área a fim de garantir a diversidade genética necessária”, explicou Zucchi.

Genômica populacional
Nas últimas décadas, segundo Zucchi, a restauração florestal deixou de constituir o simples plantio de árvores para recobrir uma área desmatada, transformando-se na ciência que visa a reconstruir interações ecológicas complexas em comunidades vegetais degradadas pelas ações antrópicas.
Em artigo publicado no Journal od Biotechnology and Biodiversity, pesquisadores da APTA e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) discutem como os conceitos de genética de populações podem contribuir para tornar as políticas de restauração ainda mais eficientes.
“Indicadores de diversidade genética de populações, associados a outras ferramentas de conservação, são importantes para que consigamos implantar áreas reflorestadas com os níveis mínimos de riqueza alélica e de diversidade genética, que auxiliarão a conexão de remanescentes naturais, restaurando os processos ecológicos e garantindo ecossistemas funcionais, biologicamente viáveis e perpetuados no tempo”, opinou Zucchi. 

  http://www.agencia.fapesp.br/19702?email=true

População do entorno de Parques Nacionais será capacitada

Visitas aos Parques Nacionais triplicaram entre 2006 e 2013, passando de 1,9 milhão para 6 milhões

Foto: Divulgação Visitas aos Parques Nacionais triplicaram entre 2006 e 2013, passando de 1,9 milhão para 6 milhões

Cursos gratuitos

São 200 cursos em 77 municípios brasileiros com o objetivo de profissionalizar moradores para receber os turistas
O novo módulo do programa que leva acesso ao ensino técnico profissionalizante, com apoio do Ministério do Turismo, está investindo na capacitação de artesãos, produtores e agricultores familiares que atuam no setor turístico. Nesta etapa, o foco é no desenvolvimento de comunidades de 77 municípios localizadas no entorno de 12 Parques Nacionais. A meta é capacitar a população para lidar com o aumento de turistas na região.
As visitas aos Parques Nacionais triplicaram entre 2006 e 2013, passando de 1,9 milhão para 6 milhões, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A demanda deve crescer ainda mais com os investimentos dos ministérios do Turismo e Meio Ambiente em infraestrutura e acesso.
Entre os 200 cursos oferecidos gratuitamente estão os de marceneiro, artesão, montador de calçados, auxiliar de cozinha e pescador profissional. Todos gratuitos e oferecidos em parceria com o Senac, Sest/Senat, Senai, Senar e Institutos Federais e Estaduais de Ensino. Representantes dos municípios já estão sendo chamados para participar de treinamentos em Brasília. As aulas estão previstas para terem início em 2015. 
“A proposta é que os municípios invistam em seus profissionais para que adquiram técnicas e organizem a produção”, diz o ministro do Turismo, Vinicius Lages. “Desta forma, serão capazes de lidar com o aumento de turistas, oferecendo produtos de qualidade, gerando renda e valorizando a própria cultura”, afirma.
Segundo um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os Parques Nacionais poderiam gerar, só com visitação, pelo menos R$ 1,6 bilhão por ano, já que exercem um forte apelo entre os brasileiros e turistas estrangeiros que visitam o País. O Brasil é hoje considerado o primeiro em atrativos naturais, de acordo com o ranking de competitividade em turismo do Fórum Econômico Mundial, que avalia 140 nações.
Na cidade de Quatis (RJ), um dos municípios contemplados pelo programa, localizada a cerca de 61 Km do Parque Nacional de Itatiaia, os principais atrativos são o mel de abelha, os bordados, as plantas medicinais e as bebidas destiladas. Para Quatis, o curso de destilador de bebidas do programa pode aumentar a produtividade da região e os ganhos com o produto. “Espero que os cursos gerem uma vantagem competitiva à cidade, que os cidadãos se desenvolvam profissionalmente e que empresários se aproximem de nossa região”, diz Fabricio Souza, diretor de Cultura da Secretaria de Turismo da cidade.
Para a escolha dos 77 municípios, foram considerados critérios como a presença de rede ofertante de cursos, o fato de integrarem o mapa do turismo brasileiro e a localização na área de abrangência dos 12 Parques Nacionais priorizados pelo Ministério do Turismo. Além disso, levou-se em consideração aqueles localizados nas 14 regiões turísticas definidas no mapa do turismo brasileiro, assim como os municípios considerados patrimônio cultural mundial da humanidade (Unesco), contendo conjuntos urbanos e bens materiais tombados pelo Iphan.
Os Parques Nacionais que serviram de base para a seleção dos municípios foram Anavilhanas (AM); Lençóis Maranhenses (MA); Ubajara (CE); Brasília (DF); Chapada dos Guimarães (MT); Chapada dos Veadeiros (GO); Serra do Cipó (MG); Tijuca (RS); Itatiaia (RJ e MG); Serra dos Órgãos (RJ); Aparados da Serra (RS) e Serra Geral (SC).
Até o momento, mais de 166 mil pessoas já se inscreveram nos cursos de qualificação profissional em turismo, que ocorrem em 120 cidades do País. Os cursos mais procurados são os de auxiliar administrativo (cerca de 34 mil inscritos); inglês básico (cerca de 13 mil) e recepcionistas em meios de hospedagens (cerca de 12 mil).

Fonte:
Ministério do Turismo

http://www.brasil.gov.br/turismo/2014/08/populacao-do-entorno-de-parques-nacionais-sera-capacitada

Projeto reúne instituições para diagnosticar e proteger mananciais da bacia do rio Paraíba do Sul

Com objetivo de avaliar e hierarquizar critérios e diretrizes do Programa PSA Água Vale do Paraíba, técnicos e gestores públicos de 17 instituições reuniram-se ontem em Taubaté-SP, sob coordenação do Instituto Oikos de Agroecologia. Temáticas como conservação dos solos, recuperação e conservação de florestas, manejo de pastagens e valoração ambiental de serviços ambientais foram discutidas ao longo de todo o dia.



A construção do programa está focada nos mananciais de abastecimento público superficiais na bacia do rio Paraíba do Sul, trecho paulista, excluídas aquelas captações feitas diretamente no rio Paraíba. Vinte e cinco municípios do Vale captam água para abastecimento público em rios afluentes do Paraíba do Sul ou em reservatórios que integram esse sistema. Os municípios são: Lagoinha, Paraibuna, São Luís do Paraitinga, Natividade da Serra, Redenção da Serra, Jacareí, Santa Isabel, Igaratá, São José dos Campos, Monteiro Lobato, Tremembé, Taubaté, Guaratinguetá, Piquete, Lorena, Cruzeiro, Lavrinhas, Queluz, Silveiras, Cachoeira Paulista, Arapeí, Areias, São José do Barreiro, Bananal e Cunha.



Em meio a maior crise hídrica dos últimos 84 anos, medidas de conservação e proteção dos mananciais afluentes do rio Paraíba do Sul são fundamentais para a garantia futura do abastecimento público. O projeto irá realizar uma hierarquização dessas bacias, utilizando-se de modelagens matemáticas e softwares de geoprocessamento com dados físicos, ambientais, sociais e institucionais. Um dos resultados será uma listagem, em ordem de prioridade, das bacias onde se localizam os mananciais, para a realização de ações de conservação e recuperação dos recursos hídricos.



A previsão é que o Programa esteja concluído no final de dezembro deste ano, quando então será encaminhado ao Comitê das Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul, a quem caberá a decisão de adotar as recomendações em suas diretrizes e planejamentos.
 
                                                                                                                    LF Cesar